Uma aeronave de transporte não precisa de empuxo máximo de decolagem em toda partida. Quando cálculos aprovados de desempenho demonstram que menos empuxo é suficiente, uma seleção inferior pode reduzir as solicitações do motor, preservando todos os requisitos aplicáveis de desempenho de decolagem.
Em uma pista longa, com uma aeronave relativamente leve e condições ambientais favoráveis, os motores podem produzir consideravelmente mais empuxo do que o necessário. Utilizar empuxo reduzido não significa aceitar um padrão inferior de segurança. A aeronave ainda deve atender aos requisitos aplicáveis de pista, subida, obstáculos e controlabilidade nas condições incluídas no cálculo.
Empuxo reduzido não significa desempenho inferior ao necessário. Significa empuxo inferior ao máximo disponível, utilizado somente quando o desempenho exigido permanece protegido.
01 — POR QUE REDUZIR O EMPUXO?
O empuxo máximo nem sempre é necessário
O desempenho de decolagem muda entre partidas. Peso da aeronave, comprimento e declividade da pista, elevação do aeroporto, temperatura, vento, condição da pista, obstáculos, configuração, sistemas em uso e equipamentos inoperantes podem influenciar o empuxo necessário.
Duas aeronaves do mesmo tipo podem partir da mesma pista com necessidades diferentes de empuxo. Uma aeronave próxima do peso limite pode precisar de empuxo máximo de decolagem. Uma aeronave consideravelmente mais leve pode atender a todos os requisitos aplicáveis com menos empuxo.
Aplicar empuxo máximo quando ele não é necessário expõe os motores a temperaturas e cargas mecânicas maiores sem oferecer um benefício operacional necessário. O empuxo reduzido utiliza a margem de desempenho disponível por meio de um cálculo aprovado.
O empuxo reduzido só pode ser utilizado quando o empuxo calculado ainda fornece o desempenho necessário para aquela decolagem específica.
02 — DOIS CONCEITOS DISTINTOS
Empuxo reduzido e empuxo com derate
Dois conceitos são normalmente associados ao empuxo de decolagem inferior ao máximo disponível. Eles podem produzir indicações semelhantes do motor, mas não representam o mesmo conceito de certificação ou desempenho.
Terminologia, seleções e limitações apresentadas na cabine variam entre aeronaves, motores e operadores. A pergunta importante não é apenas quanto empuxo está indicado, mas qual regime certificado constitui a base do cálculo de desempenho.
03 — TEMPERATURA ASSUMIDA
Por que uma temperatura maior resulta em menos empuxo
O método de temperatura assumida calcula o desempenho de decolagem como se a temperatura externa fosse maior do que a realmente existente. A capacidade de empuxo dos motores a jato geralmente diminui com o aumento da temperatura ambiente. Assim, o desempenho baseado em uma temperatura assumida maior pode estabelecer uma seleção inferior de empuxo de decolagem.
Não se está informando à aeronave que o valor assumido representa a condição meteorológica real. A temperatura ambiente real continua sendo real e relevante. A temperatura assumida faz parte do método aprovado para estabelecer o empuxo.
Os fabricantes podem utilizar termos como temperatura FLEX, temperatura assumida, temperatura selecionada ou ATM — Assumed Temperature Method. Essas expressões podem descrever o mesmo princípio geral, mas a implementação continua específica da aeronave.
Se a temperatura real é 20°C e o cálculo aprovado estabelece uma temperatura assumida de 50°C, o valor maior fornece a seleção calculada de empuxo reduzido. O valor de 50°C não descreve a meteorologia real.
Uma temperatura assumida maior geralmente resulta em uma seleção calculada de empuxo menor, mas somente dentro dos limites aprovados da aeronave e dos dados de desempenho.
04 — DERATE FIXO
Um regime certificado inferior de decolagem
Uma decolagem com derate utiliza um regime certificado inferior de empuxo de decolagem. Para fins de desempenho, esse regime torna-se a base do empuxo de decolagem. Limitações e dados de desempenho separados ou claramente distinguíveis o sustentam na documentação aprovada da aeronave.
Algumas aeronaves identificam diferentes regimes de empuxo com designações como TO, TO 1 ou TO 2. Nomes e capacidades exatos variam. O derate fixo não é apenas outra entrada de temperatura: ele muda o regime certificado que constitui a base do cálculo de decolagem.
Quando há aprovação para a aeronave e pelo operador de um método combinado, o regime com derate torna-se o ponto de partida, a partir do qual se pode calcular uma redução adicional por temperatura assumida.
05 — BENEFÍCIO PARA O MOTOR
Preservar a condição do motor ao longo de muitos ciclos
Motores a turbina são submetidos a elevadas solicitações térmicas e mecânicas na decolagem. Empuxo elevado está associado a temperaturas maiores nas turbinas, pressão interna, cargas de rotação e expansão térmica. Essas condições são previstas e permanecem dentro da capacidade certificada do motor.
O empuxo máximo de decolagem não é prejudicial quando necessário e utilizado conforme os procedimentos aprovados. Aplicá-lo repetidamente sem necessidade, porém, aumenta a exposição acumulada a condições exigentes.
O segmento de decolagem é breve. Uma diferença imediata no fluxo de combustível não é o principal motivo da técnica. Seu valor principal é preservar o motor ao longo de centenas ou milhares de ciclos.
06 — DESEMPENHO EM PRIMEIRO LUGAR
Um cálculo, uma solução integrada
Não se pode selecionar empuxo reduzido apenas porque a pista parece longa, a aeronave parece leve, outra tripulação utilizou FLEX antes ou a mesma temperatura assumida foi utilizada ontem. Cada partida é um novo problema de desempenho.
Empuxo selecionado, velocidades de decolagem, peso, configuração, pista, posição de início de decolagem e condições ambientais formam uma solução integrada. Um valor de um cálculo não deve ser combinado com velocidades ou dados de configuração de outro.
Empuxo, velocidades de decolagem, peso da aeronave, configuração e condição da pista devem pertencer ao mesmo cálculo aprovado de desempenho.
O cálculo deve continuar protegendo distância de pista, capacidade de subida, separação de obstáculos, controle da aeronave, efeitos dos sistemas, energia dos freios, velocidade dos pneus e outras limitações aplicáveis.
07 — DISPONIBILIDADE DE EMPUXO
É possível selecionar mais empuxo?
Em uma decolagem por temperatura assumida, o método aprovado geralmente é desenvolvido de modo que o regime aplicável de decolagem — ou o regime com derate, quando essa é a base de desempenho — possa ser selecionado dentro da estrutura certificada. As circunstâncias e o método continuam regidos pelos procedimentos da aeronave e pelos SOPs do operador.
Em uma decolagem com derate, o próprio regime com derate é o regime selecionado de decolagem e o limite operacional. A disponibilidade e o uso aprovado de empuxo acima desse regime são específicos da aeronave.
Afirmações universais como “TOGA está sempre imediatamente disponível” ou “o empuxo nunca pode ser aumentado após selecionar um derate” podem, portanto, induzir ao erro. Os pilotos devem saber qual regime foi selecionado, se foi acrescentada temperatura assumida e qual procedimento aprovado rege qualquer aumento.
08 — LIMITAÇÕES
Por que não existe uma lista universal de proibições
Condições que podem restringir a operação com empuxo reduzido incluem desempenho insuficiente de pista ou subida, obstáculos limitantes, condições adversas da pista, precauções para windshear, equipamentos inoperantes, penalidades dos sistemas, uso de anti-gelo e limitações específicas do operador.
O efeito não é idêntico em todas as frotas. Pista molhada e pista contaminada não são termos intercambiáveis, e um método aprovado pode estar disponível em uma condição de superfície e ser proibido em outra.
A afirmação de que o empuxo de decolagem nunca pode ser reduzido em mais de 25 por cento também não deve ser apresentada como uma regra universal para pilotos. As orientações da FAA e da EASA devem ser compreendidas dentro de suas estruturas completas de certificação. O limite aplicável vem dos dados aprovados específicos da aeronave.
O empuxo reduzido só está disponível quando o cálculo aprovado de desempenho e os procedimentos aplicáveis sustentam expressamente seu uso.
09 — EQUÍVOCOS COMUNS
Sete ideias que os pilotos devem corrigir
FLEX e derate são a mesma coisa
Ambos podem produzir empuxo inferior ao máximo, mas são conceitos distintos de certificação e desempenho.
A temperatura assumida se torna a temperatura real
A temperatura ambiente real continua sendo real. O valor assumido pertence ao método aprovado de cálculo de empuxo.
O empuxo reduzido elimina os requisitos normais de decolagem
Todos os requisitos aplicáveis incluídos no cálculo aprovado ainda devem ser atendidos.
Existe sempre um limite universal de 25 por cento
A redução permitida depende da base de certificação aplicável e dos dados aprovados da aeronave.
O empuxo máximo danifica o motor
O empuxo máximo é uma capacidade certificada e deve ser utilizado sempre que o desempenho, as condições ou os procedimentos o exigirem.
Uma pista longa permite automaticamente FLEX
O comprimento da pista é apenas um elemento. Peso, temperatura, vento, elevação, obstáculos, condição da superfície e sistemas também importam.
O empuxo reduzido é utilizado principalmente para economizar combustível na decolagem
Seu benefício principal é reduzir as solicitações acumuladas do motor e a necessidade de manutenção.
REVISÃO DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL
O modelo mental do piloto
- 01
Qual é o regime aplicável de empuxo de decolagem?
- 02
Estamos utilizando esse regime, um regime com derate ou uma redução por temperatura assumida?
- 03
Empuxo selecionado, velocidades e configuração vêm do mesmo cálculo?
- 04
As condições atuais de pista, meteorologia e aeronave ainda correspondem ao cálculo?
- 05
O que os procedimentos da aeronave determinam sobre aumentar o empuxo, se necessário?
PONTOS PRINCIPAIS
O que o piloto profissional deve reter
- O empuxo máximo de decolagem não é necessário em toda partida.
- O empuxo reduzido é utilizado principalmente para diminuir as solicitações do motor e a deterioração associada à manutenção.
- Ele só pode ser utilizado quando todos os requisitos aplicáveis de desempenho continuam atendidos.
- Temperatura assumida/FLEX e derate fixo são conceitos distintos.
- A redução por temperatura assumida é variável; o derate fixo utiliza um regime certificado de empuxo inferior.
- Algumas aeronaves podem combinar os métodos quando isso é aprovado.
- Indicações, limitações e lógica de aumento de empuxo são específicas da aeronave.
- Empuxo, velocidades e configuração devem resultar do mesmo cálculo aprovado.
- O empuxo máximo continua adequado sempre que necessário.
ESTRUTURA DE REFERÊNCIAS OFICIAIS
Fontes primárias rastreáveis
Estas fontes oficiais estabelecem os conceitos de certificação e o contexto de vida útil do motor utilizados nesta síntese educacional. Versão vigente, situação e aplicabilidade à aeronave devem sempre ser verificadas.
FAA — AC 25-13: Reduced and Derated Takeoff Thrust (Power) Procedures↗EASA — CS-25, AMC 25-13: Reduced and Derated Take-off Thrust (Power) Procedures↗EASA — CS 25.1591 and AMC 25.1591: Slippery Wet and Contaminated Runways↗Airbus Safety First — Prevention of EGT Overlimit Events↗Este artigo NFA desenvolve a compreensão profissional. Ele não estabelece procedimentos de desempenho de decolagem nem fornece dados de desempenho específicos de aeronave. Não substitui disposições da ICAO; regulamentação da FAA, EASA, ANAC ou de outras autoridades aplicáveis; materiais de AFM, FCOM, FCTM, QRH ou MEL/CDL; aplicativos aprovados de desempenho; manuais do operador; ou SOPs da empresa. As decisões operacionais devem sempre utilizar documentação oficial vigente e procedimentos aprovados aplicáveis à aeronave, ao operador e à operação.

